Antípodas - Movimento Anti-praxe



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Comissionis Praxis Medicus Facultis

Olá caro colega do primeiro ano pela primeira vez, muitos parabéns.

É com enorme prazer que te recebemos, de braços abertos, nesta mui nobre Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Certamente já terás ouvido falar de praxe, por amigos, irmãos ou pelo menos por intermédio de jornais e televisão! Muito se fala sobre ela, a praxe, conotada com a vida académica, noitadas, grandes farras, integração no meio universitário, o começo de novas amizades ou então segundo alguns uma completa estupidez, humilhação, palhaçada, perda de tempo etc. Mas o que é certo é que quem mais fala sobre ela menos a conhece, pois praxe não é para se falar mas sim para se fazer! Certo é que ela existe, e que muitos, no fim dos seus cursos choram de saudade e relembram todos os episódios, com o parceiro do lado que não se conhecia de lado nenhum e que se tornou o seu grande amigo, finalizando com um "car... aquela mer.. foi altamente... aquilo é que era vida".

Serás tu a decidir qual a imagem da praxe, no presente e no futuro. Serás tu a fazer a praxe, como caloiro e como doutor! A única condição, se é que ela existe, é fazeres parte da praxe, praticando, defendendo a cor do teu curso, a tua faculdade, a tua academia, a tua cidade, sempre com o "espírito académico" necessário.

Esta vida são dois dias e o de hoje já conta, como tal, relincha caloiro, reles besta... vibra de alegria e grita "VIVA MEDICINA".

Com as mais cordiais saudações académicas,

Comissão de Praxe

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Glossário das Praxes

   Guilherme Noro e Rita Pais

Praxe Básica
Ter o nome do curso escrito à batom na testa e pinturas na cara.

Concurso de Pintura
Todos os veteranos demonstrarão a arte que há dentro de si em pinturas humanas.

Praxe das Unhas
Nenhuma unha será poupada. Concurso de pintura da unha. Consiste em pintar as unhas de forma original. Vale tudo, até esmalte debaixo da unha!

Aula fantasma
No primeiro dia de aulas o caloiro é submetido a uma aula de terror, um "professor" especial vai dar as boas vindas aos caloiros e promete massacrar os alunos ao longo do ano.

Olha o iogurte (Olha o aviãozinho)
O caloiro vendado tem numa mão, um iogurte e na outra mão, uma colher à sua frente está um outro caloiro vendado. O caloiro que tem o iogurte vai ter de dar a comer ao outro.

M'M's
Um caloiro está deitado numa mesa e são espalhados M'Ms por todo o corpo. Um outro caloiro, do sexo oposto, está de olhos vendados e vai ter de apanhar os M'Ms com a boca.

Perguntar não ofende
O caloiro é vendado e submetido a um interrogatório. Tem de responder a perguntas que deverão ter resposta impossível (ex; quanto pesa um ovo?). O caloiro ao falhar irá sofrer um castigo que será, por exemplo, mastigar alho ou qualquer outra coisa igualmente desagradável.

Perguntas indiscretas
O caloiro está sentado numa mesa e é submetido a um interrogatório por parte de todos os veteranos que poderão perguntar o que quer que seja e o caloiro será obrigado a responder.

O caloiro a desafinar e a estátua a rachar
O caloiro tem de cantar o hino nacional a uma estátua.

"Eu sou um animal"
O caloiro coloca-se no centro de círculo e tem de respeitar aquilo que lhe é dito pelos veteranos. Os veteranos dizem, por exemplo, "tu és uma zebra. Dás coices" e o caloiro responde "sou uma zebra e dou coices" ao mesmo tempo que exemplifica.

O caloiro atleta
Um veterano coloca-se dum lado de um corredor e outro veterano do outro lado, cada um deles com uma vassoura. O que o caloiro tem de fazer é correr e dar quarto voltas à vassoura e correr para a outra e dar de novo quatro voltas e repetir isto quantas vezes lhe for ordenado.

O bom amigo preservativo
O caloiro segura numa cenoura entre as pernas enquanto a caloira tem de colocar o preservativo na cenoura.

O caloiro sinaleiro
O caloiro é posto na rua a arrumar carros.

Mister Caloiro e Miss Caloira
Os caloiros desfilam e no final são eleitos o Mister Caloiro e a Miss Caloira de cada curso. Para além destas eleições são criadas outras que podem ter a ver com as características específicas dos novos alunos.

Caloiro Relógio.
Um caloiro escolhido aleatoriamente irá servir de relógio, visto que veteranos não usam relógio. Cada vez que um veterano pergunta, o caloiro dirá as horas e dirá "Cuco, cuco".

Praxe do Palito
Forma-se uma fila de caloiros (homem - mulher - homem - mulher - homem -mulher). Coloca-se o palito na boca do primeiro caloiro que deve, sem a ajuda das mãos, passar para o próximo. Quando o palito chega ao último caloiro, quebra-se na metade e o processo recomeça. - Nota: Quando o tamanho do palito for tão pequeno que os lábios quase se tocam, deve alternar mais uma vez a composição da fila (homem - homem - homem - mulher - mulher - mulher).

Praxe do Palito Métrico
O caloiro deve medir alguma área com um palito, por exemplo medir quantos palitos cobrem um ginásio desportivo.

Praxe da Formiga
Colocar uma formiga numa mesa e o caloiro deve mata-la com gritos.

Praxe da Casa de Banho
Quando um caloiro diz ao veterano que tem sede, o veterano leva-o a casa de banho para dar de beber. Um veterano sai da área da sanita com um copo de água e ordena ao caloiro que beba. (Atenção: o Veterano obrigatoriamente tem uma garrafa de água mineral escondida perto da sanita)

Em trajes de noite
Vestindo pijama os caloiros terão de percorrer as ruas da cidade cantando e desafinando.

Lago dos cisnes
Os caloiros e as caloiras vestindo collans e de saia terão de recriar o famoso bailado "o lago dos cisnes" em local público.

Latada
Os caloiros terão de percorrer as ruas da cidade a correr com pequenas latas amarradas aos pés.

Linguagem corporal
Os caloiros terão de fazer com os seus próprios corpos as iniciais dos seus cursos.

Granada
Quando um veterano grita "granada" todos os caloiros têm que de se mandar ao chão para fugir da explosão.

Hino Académico
Os caloiros têm que cantar pelas ruas o Hino do curso, exemplo: "Sexo e Orgia é Sociologia", "Sexo e Tesão é Comunicação".

Chuva de Caloiros (Pop Star)
Os caloiros devem formar grupos e ensaiar uma coreografia para uma música a ser apresentada em praça pública.

Praxe do Ovo
Dois caloiros serão chamados para dançar, com as mãos para trás um ovo segurador em suas testas.

Praxe do Ovo II
Um caloiro vai ter de passar um ovo sem deixar partir pela calça ou pela camisola de outro caloiro.

Padrinho / Madrinha
Cada caloiro terá que escolher (de livre vontade) um padrinho ou madrinha. Este tem a função de proteger, dar apontamentos, cábulas e dicas. Não aceite ofertas "quer ser meu afilhado" pois essa escolha deve ser feita de livre e espontânea vontade.

Jantar do Caloiro
Depois de uma semana de Praxe é normal existir um jantar de confraternização. Não vá com receios, o jantar simboliza o final da semana de recepção do caloiro e a integração do caloiro para com os novos colegas, celebrado com muito "Casal Garcia!".

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Praxe

   Canção de Praxe da Tuna do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa

Andava eu no secundário
E só pensava em ser praxado
Tinha um medo mercenário
Daquele tuno trajado

Fiz as provas tudo mais
Sempre chateado plos pais
"Meu filho tens de estudar"
E assim acabei por entrar

Na semana do caloiro
Aprendi a não falar
Porque quando um bicho fala
O veterano manda calar

A praxe é a tradição
Não pode nunca morrer
Gostando o caloiro ou não
Se existe é pra fazer

Nos meus tempos de caloiro
Não sabia o que é praxar
Dos colegas fiz amigos
Percebi que é pa integrar

Agora lembro com saudade
As praxes que me fizeram
Quem me dera ser caloiro
Voltar aos tempos que já eram

Na semana do caloiro
Só queria era praxar
Quando um bicho me falava
Eu mandava-lo calar

A praxe é tradição
Não pode nunca morrer
Gostando o caloiro ou não
Se existe é pra fazer

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Praxe Coimbrã: Integração e Amizade

   Pedro Silva (Presidente da Secção de Defesa dos Direitos Humanos da AAC)

A praxe académica de Coimbra é uma tradição secular constituída por todos os costumes da Universidade de Coimbra, dos quais fazem parte algumas brincadeiras feitas pelos estudantes mais velhos (Doutores) aos alunos recém-chegados (caloiros). Nós (universitários) somos adultos, mas isso não quer dizer que tenhamos que ser apáticos, sem vida. Temos que manter a jovialidade e o espírito criativo que as crianças e os adolescentes por natureza possuem, mas, claro está, com a responsabilidade e com a ponderação que a nossa idade impõe.

A praxe coimbrã é a única no país verdadeiramente democrática e regulamentada, com direitos e deveres a terem de ser respeitados por todos. Quem não concordar com ela, tem o direito a escolher se se submete ou não.

Declarando-se anti-praxe, o estudante perde alguns direitos, mas não é ostracizado, não fica isolado dos seus colegas, nem perde a oportunidade de fazer amigos.

Submetendo-se à praxe, o caloiro integra-se muito mais depressa na vida de Coimbra e na sua nova etapa como estudante universitário. Antes de tudo, aconselho sempre estes novos alunos a comprarem o Código da Praxe, ou a pedirem a alguém mais velho para o lerem. Assim sabem até onde os "doutores" podem ir, evitando abusos e situações desagradáveis. Também para esse efeito existe o Conselho de Veteranos que é composto pelos alunos com mais matrículas na Universidade de Coimbra e é presidido por um Dux Veteranorum eleito entre eles. É o órgão regulador por excelência da praxe académica, incumbindo-lhe promovê-la, explicá-la e fiscalizá-la, punindo exemplarmente quem viole as suas linhas de orientação e fundamentos, seja ele caloiro ou doutor. E, quando falo em punir não me refiro a violência física ou verbal, como se ficciona no medíocre filme o "Rasganço", de Raquel Freire, que não retrata minimamente o quotidiano e as tradições dos estudantes de Coimbra, só podendo ser explicado, como a própria já admitiu, por uma infeliz passagem pela nobre e briosa cidade de Coimbra, símbolo incontestado da irreverência e da contestação estudantil do nosso país. Quem esperava que esta película viesse substituír o excelente filme "Capas Negras" teve uma enorme desilusão. Mais ainda, o "Rasganço" merece o repúdio e a indignação de todos os estudantes da Universidade de Coimbra, antigos e actuais, pois constitui um verdadeiro ataque a uma reputada instituição com mais de 700 anos e, também, à mais antiga associação estudantil de Portugal, com os méritos que todos lhe reconhecem, por parte de uma pseudo realizadora, que nem sequer conseguiu acabar o curso de Direito, desculpando-se agora com um ficcionado elitismo da Universidade.

Quando refiro punir, isso significa avisos e advertências oficiais, e em casos mais graves, perda de previlégios praxísticos.

Exactamente por existir o Código da Praxe e o Conselho de Veteranos é que têm existido poucos abusos ao longo dos anos. Ouve-se falar em situações incríveis, de estudantes a serem sujeitos a praxes verdadeiramente humilhantes, nos órgãos de comunicação social, mas nenhuma se refere a Coimbra.

Por tudo isto não faz sentido falar-se em tratamento desumano e cruel, discriminação ou ofensas corporais. É um perfeito disparate. A praxe coimbrã não é violenta nem desumana. Além disso só se submete a ela quem quer. E, não me digam que isto nem sempre é verdade, porque os caloiros sentem-se intimidados e obrigados a aceitá-la, ou como já ouvi, "os caloiros não pensam nisso como uma alternativa". Outro disparate. Mesmo quem não leu o Código da Praxe é informado pelos estudantes mais velhos dos direitos que lhes assistem. É para isso que se organizam as "recepções ao caloiro" e existem "padrinhos da praxe". Não para embebedá-los, insultá-los ou agredi-los, mas para orientá-los, conversar e, claro está, brincar com eles. E porque não? Não é isso que os amigos fazem uns com os outros?

E, por último, só quero deixar uma palavra àqueles que caluniam publicamente todos os "praxistas" e depois não lhes dão oportunidade de se defenderem. Se acham a praxe coimbrã tão horrível, aconselho-os a "combaterem" também as praxes e os rituais de iniciação que se verificam em quase todas as modalidades desportivas, onde rapam o cabelo aos novos elementos, por exemplo. Mas, se calhar, até os admiram, provavelmente têm fotos e posters deles ao lado da cama. Penso que iria ser um pouco constrangedor, revelando assim a incongruência dos seus argumentos.

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Ortodoxvs Academicvs Invictae

Pela restauração da verdadeira Praxe Universitária na Academia do Porto

Manifesto a toda a Academia do Porto pelo autodenominado grupo "Ortodoxvs Académicvs Invictae".

Porto,ao 1 dia de Outubro do Ano da Graça de 2001.

Caros Estudantes da Academia:

O "Ortodoxvs Academicvs Invictae" é um grupo apolítico,que tem como unica finalidade a restauração,por qualquer meio ou via, da verdadeira Praxe Universitária,em todas as escolas de Ensino Superior da Academia do Porto.É um grupo radical e ortodoxo,que interpreta o actual momento da Praxe na Academia como sendo mau,de baixa qualidade a todos os níveis, onde se assiste a uma banalização da Praxe e a uma usurpação das boas e antigas tradições Académicas,por parte de uma meia duzia de ditos "veteranos" mal trajados que a aplicam e a abandalham, sem regra,direito e muito menos conhecimento do que é a verdadeira Praxe. Pretendemos devolver a verdadeira Praxe á Academia e acabar com a "balda" reinante. Somos criticos porque Tradicionalistas,somos radicais, pela verdadeira Praxe. Queremos afirmar aqui que na Academia há bons Veteranos,que sabem o que é a verdeira Praxe. Temos em todas as escolas de ensino superior da Academia Veteranos, prontos a actuar dentro do convencionado pela Praxe,em várias instituições e organismos, Veteranos cujas identidades não serão reveladas,como facilmente se depreenderá,sendo que estamos de forma velada em comissões de Praxe, Conselhos de Veteranos,Comissões de Cursos, Tunas e Grupos de Fados,Tertúlias, etc.

Num outro plano,o "Ortodoxvs Académicvs Invictae" surge como resposta directa e frontal a dois grupos anti-praxe comunistas/trotskistas/leninistas e afins, que se denominam M.A.T.A e Antípodas, grupos esses que "assentaram arraiais" na nossa Academia, procurando banir pelos seus recursos politizados, a Praxe enquanto tradição secular e as Tradições Académicas da nossa Academia. Queremos dizer claramente a esses "grupinhos" que na Academia do Porto tais agrupamentos não são bem-vindos e que o "Ortodoxvs Académicvs" tudo fará ao seu alcance para os BANIR da nossa querida Academia, sendo que já iniciamos essa "cruzada", deixando desde já a ambos os grupos a promessa de que a suas actividades serão exemplarmente observadas por nós, com as devidas consequências, se persistirem em boicotar qualquer actividade de Praxe Universitária em qualquer escola de ensino superior na Academia do Porto. Como estamos num estado democrático, toleramos a existência desses "grupos", não toleraremos, certamente, que boicotem, seja por que meio for, a Praxe Universitária.

Quer o autodenominado "Ortodoxvs Académicvs" afirmar que se encontra vigilante em TODAS as escolas de ensino publico da Academia,prontos a actuar, de acordo com as mais ancestrais regras da Tradição e da Praxe Universitária.

Por outro lado, afirmamos que a Praxe é uma tradição,por tal, aceite voluntariamente e nunca por imposição, com função socialmente integradora e cultural,nunca se devendo misturar a questão estética do Trajar com o Estar na Praxe. Apelamos aos Veteranos de todas as Escolas de ensino superior da Academia que o sejam, de iure,de facto, e que façam respeitar a verdadeira Praxe.

Queremos que todos os Caloiros que não sejam a favor da Praxe se afirmem iniquivocamente como tal,expressando por escrito essa postura. Não queremos que todos sejam a favor da Praxe mas sim que os que são a favor a admirem, cultivem e trasmitam devidamente. Aqueles que não são a favor simplesmente afirmem que não o são,de forma clara e,acima de tudo, que não se atravessem no caminho das Tradições, seja de que forma for,agrupados ou não. Asseguramos desde já que o "Ortodoxvs Académicvs" está atento e vigilante, pronto a actuar, caso se verifique QUALQUER manobra que impeça a prossecução da Praxe na Academia do Porto.

Por ultimo,apelamos ao rigoroso cumprimento da Praxe em TODA a Academia do Porto. A Praxe é dura -tal como a vida - mas educa, disciplina e prepara. Apelamos solidariamente aos vários Conselhos de Veteranos que a apliquem com método, conhecimento, rigor e justiça,agora que se estão a iniciar as diversas semanas de recepção ao Caloiro e a própria semana de recepção da Academia.

DVRA PRAXIS,SED PRAXIS

In Nomine Soleníssima Praxis

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